"Todas as pessoas na vida têm um amor impossível. (...) O nosso amor impossível é sempre o mais giro, aquele que tem mais charme, os olhos mais azuis e o cabelo mais graciosamente ondulado, o mais perfeito corpo e a melhor presença, o mais sensual e o mais bem educado. (...) Outras vezes, ele é um amigo muito próximo, demasiado próximo porque lhe demos excessiva confiança e já caímos na asneira de o amarmos sem exigir nada em troca. É por causa dele que nos metemos horas a fio na cozinha a inventar pratos que com o juízo perfeito nunca nos arriscaríamos a fazer. Por causa dele vamos à ginástica, usamos cremes para reafirmar a pele e fazemos tratamentos de cabelo dos quais só nós vemos o resultado. E ele entra e sai da nossa vida conforme lhe dá na gana e às vezes, num arremesso de insensibilidade tão habitual num homem, relata as conquistas e desabafa as tampas que levou. E nós engolimos em seco, mas aguentamo-nos até ao fim e só quando a porta bate é que a triteza e o desespero chegam para se vingarem da nossa estúpida e inútil abnegação.
São assim, os amores impossíveis. É impossível viver sem eles e insuportável vivê-los. Habituamo-nos a eles como uma chaga cujas cicatrizes nos hão-de dar, ao menos, uma medalha de heroísmo.
É claro que o nosso amor é impossível porque sempre o foi. O que quer apenas dizer em bom português que nunca nos ligou o suficiente para nos sentirmos possíveis na vida dele. Mas em vez de nos desmotivar, esse quase desprezo que é um misto de complacência e egoísmo, faz crescer em nós a vontade absurda e inesgotável de lutar por ele. Só porque o orgulho e a teimosia nos conduzem cega e inutilmente a desejar sempre o que não temos (...)"

também existe: "caimos na asneira de as amar-mos sem exigir nada em trocaa" gostei muito do texto. um beijo
ResponderEliminarclaro que existe, existe de tudo... obrigada beijinhoo
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