Detesto finais.
O melhor das coisas é não lhes conhecer o fim. Acordar e não saber como vai ser o dia, adormecer e nem sonhar com quem se vai sonhar. Deixar-se ir na vida, viver e deixar viver sem as grandes opções do plano. Não é tão fácil como entregar a existência a um esquema de vida cheio de programas e obrigações, mas é muito mais agradável, porque a vida está sempre à espreita, é só dar-lhe tempo e espaço.
Por isso é que os finais são horríveis. Fica o ar vazio, deixamos de ver ao longe, de repente apagam-se as luzes e a vida fecha-se aos nossos olhos. Depois do fim, vem a pergunta fatal "E agora?". Aproveita-se o tempo para telefonar aos velhos amigos, arrumar as gavetas e deitar papéis fora, limpar a memória e deixar o coração de molho, em convalescença a carregar baterias.
Quando gostamos de alguém, apetece-nos ser mosca para ficar a gravitar incógnito à volta dele, ouvirmos a sua respiração, rirmos com o seu riso e penarmos com as suas dúvidas.. Sentimos a vocação falhada de anjo da guarda que não está a cumprir o horário.
E depois dizer adeus não é fácil. Por causa de tanto sofrimento, as separações tornaram-se irremediavelmente dramáticas. Por isso é que os fins doem tanto. Porque além de acabarem ainda temos de nos despedir.
Não, não gosto de dizer adeus nem de ver o fim de nada, sobretudo se nao lhe vi o princípio. Prefiro dizer até um dia destes, mesmo que esse dia demore anos. Ou então afastar-me sem uma palavra, e deixar no ar o mistério de não saber quando, como e porque é que nos voltaremos a encontrar. Assim não sou eu que ponho fim às coisas, mas as coisas que um dia acabarão, ou não, por si.
o abraço de hoje falou por si
ResponderEliminarNao fiques mal por ter acabado, mas fica contente por ter acontecido.
ResponderEliminarDeixa o tempo falar por si proprio.