O problema continua a ser exactamente o mesmo, penso demais, e quando não o faço, faço-o mal...Já não dou um único passo sem antes pensar se realmente o deveria fazer. Deixei de ser a menina que corre e cai, que esfola as joelhos, mas que se volta a levantar. Passei simplesmente em apenas pensar, deixei de agir. Estou incapacitada. Preciso de me "libertar" de ti, de vocês... Não vou esquecer, mas só preciso de seguir, e ainda continuo estática, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem. Sei e tenho noção que isso só vai acontecer quando alguém "ocupar" o vosso lugar, o teu lugar, mas ninguém o fará como tu...Hoje dei por mim a desistir sem sequer tentar o suficiente como fiz contigo, como quem volta atrás com medo do escuro. Nunca tive medo do escuro, sempre dormi de luz apagada, conhecendo todos os cantos, sabendo sempre por onde contornar, nunca precisei sequer de ter uma luz acesa para fazê-lo. Sempre o fiz de luz apagada, e também o faria de olhos fechados. Mas tudo mudou. A luz do fundo passou a ficar acesa, já não sei me levantar a meio da noite sem abrir uma luz, já não conheço o meu quarto, nem sei andar por ele sem me magoar. Já não conheço os cantos à casa, nem sei onde se acendem as luzes. Já não o sei fazer sozinha, passei a precisar de alguém que me vá desligar a luz a meio da noite porque tenho de adormecer com ela ligada. Sinto que vou ficar eternamente a precisar que me desliguem a luz quando não sou capaz de a desligar sozinha. Serás capaz de entender isto? Provavelmente não, mas neste momento acho que já não preciso que entendas, não vai mudar nada. Não vais voltar atrás... Tudo o que mais quero é voltar ao dia 12 e dizer "sim", com todas as letras, com todas as certezas, mas naquela altura não as tinha. Admito que nunca dei valor ao "nós", ao nosso tempo, mas agora dou mais que ninguém. Estaria contigo todas as tardes que não estive, atenderia todas as chamadas que rejeitei, e faria de tudo para poder voltar a ouvir o teu toque irritante enquanto "esperava" por ti, para adormecermos ao mesmo tempo, juntos... Acima de tudo, faria de tudo para ter o teu respeito, a tua consideração, a tua preocupação e o teu orgulho em mim. Mas então e agora? Se eu te disser que mesmo 5 meses depois, para mim não mudou nada? Apenas o contacto contigo, e a distância que sou obrigada ter. E se te disser que guardo comigo tudo o que me deste, todas as cartas que te escrevi que não fiz chegar ao destino, até mesmo algo feito pelas tuas mãos na noite em que nos deitámos os dois no meio da estrada e observámos juntos as estrelas? Que fui incapaz de usar a minha prenda de anos durante vários meses, mas que dormia com ela todas as noites e ainda hoje o faço? Que te tenho o mesmo respeito, a mesma consideração e a mesma preocupação? Vale de alguma coisa?! Agora é tarde, I know, mas um dia tinha que dizer tudo sem medos nem receios para me poder "libertar" de ti...
Posso já não saber desligar a luz, posso já não conhecer os cantos à casa, posso nem sequer me conseguir levantar da cama com medo, mas sei que um dia, não vou ser eu a desligá-la, nem ninguém a fazê-lo por mim, vai ser ela que se desligará por si... Até lá, vai me protegendo com cuidado e guarda-me contigo.

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