(...) e então, como se quisesse guardar para sempre aquele momento perfeito, estendi a mão e pousei-a com o cuidado que se guarda em todos os gestos quando é o amor que manda e deixei-a ficar junto à tua testa, à espera que acordasses. Talvez tenha passado apenas um par de minutos, mas quando abriste os olhos e na semiconsciência do sono adiado me viste, pegaste na minha mão e encostaste-a teu peito para que ouvisse o teu coração.
A vida não passa disto, os momentos perfeitos servem para nos dar força para todos os outros e ensinam-nos que a eternidade às vezes só dura alguns momentos, mas entre caixotes, pó, memórias perdidas no tempo e a certeza que nunca mais entrarei na casa onde vivemos, guardo-te com o sabor dos chocolates que já viveram na mesma caixa onde agora repousas, sereno e pacificado como o meu mais perfeito namorado, na doçura triste que sucede a desordem do amor.
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